terça-feira, 1 de maio de 2012

O Bambu (autor desconhecido)


Ha muito tempo atrás, no coração do Reino havia um lindo jardim. No frescor do dia, o Senhor do Jardim descia e passeava por ele. E, de todos os habitantes daquele jardim, o mais amado e belo era o nobre Bambu. Ano após ano, o Bambu crescia e se tornava mais nobre e gracioso, consciente do amor de seu Senhor e de sua apreciação.

Um dia, quando o Senhor chegou-se ao Bambu para contemplar sua amada árvore, o Bambu, em uma apaixonada adoração, curvou seu grande corpo até o chão. Nesse momento, seu Senhor disse: "Bambu, usarei você. O dia dos dias chegou, o dia para qual você foi criado". A voz do Bambu veio baixa: "Senhor, estou pronto. Use-me como quiser".

"Bambu", a voz de seu Senhor era grave, "eu devo derrubar você".

"Derrubar-me? A mim? Aquele a quem o Senhor fez o mais belo no jardim? Isso não! Use-me para a sua alegria, mas não me derrube!"

"Amado Bambu", a voz do Senhor tornou-se ainda mais grave, "se eu não lhe derrubar, não poderei usá-lo".

O jardim se calou. O vento segurou a respiração. O Bambu lentamente curvou sua cabeça. E dele saiu um murmúrio: "Senhor, se não posso ser usado sem que isso aconteça, faça o seu querer e me derrube".

"Amado Bambu, devo cortar também suas folhas e galhos".

"Poupe-me, Senhor! Derrubar minha beleza ao chão, mas tomar-me também meus galhos e folhas?"

"A menos que os corte, não posso lhe usar".

O sol escondeu sua face, Uma borboleta fugiu amedrontada e o Bambu tremeu e murmurou: "Senhor, corte-os então".

"Bambu, eu dividirei você em dois e cortarei seu coração. Se não o fizer, não poderei usá-lo".

O Bambu então curvou-se para o chão e disse: "Senhor, então corte-me e divida-me".

E assim fez o Senhor daquele jardim. Ele cortou o Bambu e tirou-lhe os galhos e folhas. Dividiu-o em dois e cortou-lhe o coração. Por fim, carregou-o até onde havia um riacho e usou-o para levar a refrescante água até os campos secos. Colocando uma ponta do Bambu cortado no riacho e o outro no canal de água, o Senhor gentilmente baixou a sua amada árvore. E o riacho lhe cantou boas-vinas e a brilhante água correu em alegria pelo Bambu até os campos que esperavam alívio. E a colheira cresceu, os dias se passaram e a sega chegou.

Naquele dia, o Bambu, uma vez tão glorioso, foi posto em uso através de sua humilhação. Em sua beleza, sua vida estava reservada a si próprio. Em seu quebrantamento, porém, tornou-se um canal de abundante água para o mundo de seu Senhor.


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